Condições

Fator tubário: quando as trompas entram na investigação

Como se avalia a permeabilidade das trompas, o que fazer diante de obstrução e por que a hidrossalpinge precisa ser tratada antes da FIV.

Mulher sentada à mesa, com o queixo apoiado na mão e uma caneca à frente
Condições

As tubas uterinas são o lugar onde óvulo e espermatozoide se encontram. Quando estão obstruídas ou danificadas, esse encontro não acontece — e o fator tubário responde por uma parcela relevante dos casos de infertilidade. É também um dos fatores mais objetivos de investigar: existe exame específico, e o resultado muda a conduta imediatamente.

O que a tuba faz, e o que a impede de fazer

A tuba uterina não é um cano passivo. Ela capta o óvulo liberado pelo ovário com as fímbrias, transporta espermatozoides no sentido oposto, abriga a fecundação e conduz o embrião até a cavidade uterina no tempo certo, com movimento ciliar e contrações coordenadas. Uma tuba pode estar anatomicamente aberta e ainda assim funcionar mal.

As causas mais frequentes de dano tubário são a doença inflamatória pélvica — sobretudo por clamídia e gonorreia, muitas vezes assintomáticas —, a endometriose com aderências, cirurgias pélvicas ou abdominais prévias, incluindo apendicite complicada, e a gravidez ectópica anterior. Em parte dos casos nenhuma causa é identificada.

Como se avalia a permeabilidade tubária

Existem duas formas principais de avaliar se as tubas estão pérvias:

  • Histerossalpingografia — exame de raio-X com contraste injetado pelo colo do útero, que mostra o contorno da cavidade uterina e a passagem do contraste pelas tubas até a cavidade abdominal. É o exame clássico e segue sendo amplamente usado.
  • Histerossonossalpingografia — ultrassonografia com infusão de solução de contraste, que avalia a cavidade e a permeabilidade tubária sem radiação ionizante, no próprio consultório e com boa tolerância. Também permite avaliar útero e ovários no mesmo exame.

A videolaparoscopia com cromotubagem — injeção de corante com visualização direta das tubas — é o exame mais completo, mas é cirúrgico. Fica reservada para quando há indicação terapêutica associada, como endometriose a ser tratada no mesmo tempo, e não é usada como exame de triagem.

Um dado prático que vale saber: além de diagnosticar, o exame de permeabilidade pode ter um pequeno efeito terapêutico. A passagem do contraste desobstrui aderências muito finas, e há um discreto aumento da taxa de gravidez espontânea nos meses seguintes ao exame.

O que se faz quando há obstrução

A conduta depende de qual tuba, de que lado e de que tipo de lesão. Obstrução unilateral com a outra tuba saudável frequentemente permite tentativa natural ou inseminação intrauterina, sobretudo em mulheres jovens. Obstrução bilateral leva diretamente à fertilização in vitro, que contorna a tuba por completo — foi exatamente para isso que a FIV nasceu.

Há uma situação específica que exige atenção: a hidrossalpinge, a tuba dilatada e cheia de líquido por obstrução distal. O líquido pode refluir para a cavidade uterina e reduzir de forma significativa a chance de implantação. Nesses casos, a orientação consolidada é tratar a hidrossalpinge — com retirada ou oclusão da tuba — antes da transferência embrionária.

A cirurgia reparadora da tuba existe, mas tem espaço limitado: depende do tipo e da extensão do dano, tem taxa de sucesso variável e mantém risco aumentado de gravidez ectópica. Em muitos casos, a FIV é o caminho mais direto e mais seguro.

Avaliação em Brasília

A avaliação da permeabilidade tubária faz parte da investigação básica do casal no consultório em Brasília, no Centro Clínico Sul, e costuma ser solicitada já na primeira rodada de exames, junto com a avaliação da reserva ovariana e o espermograma.

A escolha entre histerossalpingografia e histerossonossalpingografia considera o histórico, a tolerância, a necessidade de avaliar simultaneamente útero e ovários e a disponibilidade de fazer o exame no tempo certo do ciclo — porque o momento importa, e exame fora da janela costuma precisar ser repetido.

Perguntas frequentes

Fator tubário: o que mais perguntam

Com uma tuba obstruída dá para engravidar?

Sim, quando a outra tuba está saudável e o restante da investigação é favorável. A chance mensal é menor, mas a gravidez espontânea é possível. Obstrução bilateral, por outro lado, é indicação de fertilização in vitro.

O exame de trompas dói?

Costuma causar cólica durante a injeção do contraste, de intensidade variável. O desconforto é reduzido com analgesia prévia orientada e dura pouco. A histerossonossalpingografia costuma ser mais bem tolerada e não usa radiação.

O que é hidrossalpinge e por que ela precisa ser tratada?

É a tuba dilatada e cheia de líquido por obstrução na extremidade. O líquido pode refluir para a cavidade uterina e reduzir de forma importante a chance de implantação do embrião, por isso a orientação é tratá-la antes da transferência embrionária.

Laqueadura pode ser revertida?

A recanalização tubária é tecnicamente possível em casos selecionados, mas depende do tipo de laqueadura, do comprimento de tuba restante e da idade. Em boa parte das situações a fertilização in vitro oferece resultado melhor e mais previsível do que a reversão cirúrgica.

Fontes e referências

Conteúdo educativo, baseado em diretrizes de sociedades médicas. Não substitui consulta médica: a avaliação de cada caso é individual e acontece em consulta.

Continue por aqui

Assuntos relacionados

Abra um quadro para ler o resumo e seguir para o assunto completo.

Ficou com dúvida sobre o seu caso?

A avaliação é individual e acontece em consulta. Fale com a equipe para entender o atendimento particular, o apoio com o reembolso do convênio e a teleconsulta.

Falar com a equipe