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Sinequias uterinas e síndrome de Asherman

Aderências na cavidade uterina depois de curetagem ou cirurgia: como são diagnosticadas por histeroscopia e como é feito o tratamento.

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Sinequias uterinas são aderências que se formam dentro da cavidade do útero, colando suas paredes. Quando são extensas, causam redução ou ausência de menstruação, dificuldade para engravidar e perdas gestacionais — quadro conhecido como síndrome de Asherman. Quase sempre têm causa identificável, e quase sempre a causa é um procedimento anterior.

Como as sinequias se formam

O endométrio tem uma camada basal responsável por regenerar o revestimento uterino a cada ciclo. Quando essa camada é lesada, o tecido cicatricial substitui o endométrio funcionante e as paredes da cavidade aderem uma à outra. O resultado é uma cavidade parcial ou totalmente obliterada.

As causas mais frequentes são as curetagens uterinas, sobretudo as realizadas após abortamento ou parto e as repetidas; cirurgias intrauterinas como miomectomia histeroscópica de nódulos grandes; infecções uterinas; e, com menor frequência no Brasil, a tuberculose genital.

Os sinais

O sinal mais característico é a mudança do padrão menstrual depois de um procedimento uterino:

  • redução importante do volume menstrual (hipomenorreia) ou ausência de menstruação (amenorreia);
  • cólica intensa no período menstrual, quando há sangue retido acima de uma obstrução;
  • dificuldade para engravidar depois de um procedimento uterino prévio;
  • perdas gestacionais de repetição;
  • falha de implantação em tratamentos de reprodução assistida.

Nem toda sinequia dá sintoma. Aderências pequenas e laterais podem ser achado incidental de histeroscopia realizada por outro motivo, sem repercussão clínica.

Diagnóstico: o exame que fecha o quadro

A ultrassonografia transvaginal pode sugerir a alteração — endométrio fino e irregular, áreas de interrupção da linha endometrial —, mas não fecha o diagnóstico. A histerossonografia aumenta a sensibilidade ao distender a cavidade com líquido.

A histeroscopia é o exame definitivo: enxerga as aderências diretamente, permite classificar a extensão e, no mesmo tempo, tratar. É diagnóstica e terapêutica.

Tratamento e o que vem depois

O tratamento é a lise das aderências por histeroscopia, feita sob visão direta e com instrumentos que preservam ao máximo o endométrio saudável remanescente. Em casos extensos, pode ser necessário mais de um tempo cirúrgico.

A parte mais delicada do tratamento não é a cirurgia — é impedir que as aderências voltem. O pós-operatório costuma incluir medidas de barreira dentro da cavidade e estímulo hormonal para regeneração do endométrio, com histeroscopia de revisão para confirmar que a cavidade se manteve aberta antes de liberar a tentativa de gravidez.

O prognóstico depende diretamente de quanto endométrio funcionante sobrou. Casos leves a moderados têm bons resultados de restauração da menstruação e da fertilidade. Casos graves, com destruição extensa da camada basal, podem manter limitação mesmo após tratamento bem conduzido — e aí a cessão temporária de útero passa a ser uma alternativa prevista em norma.

No consultório em Brasília, a suspeita de sinequias é levantada sempre que há mudança do padrão menstrual após procedimento uterino — um dado de história que frequentemente passa despercebido e que, sozinho, muda o rumo da investigação.

Perguntas frequentes

Sinequias: o que mais perguntam

Sinequia uterina impede engravidar?

Depende da extensão. Aderências pequenas podem não ter repercussão; aderências extensas reduzem a área de endométrio funcionante e dificultam a implantação. O tratamento histeroscópico restaura a cavidade em boa parte dos casos.

Curetagem sempre causa sinequia?

Não. A maioria das curetagens não deixa aderências. O risco aumenta com curetagens repetidas, com procedimentos realizados logo após parto ou aborto e na presença de infecção associada.

Como sei se tenho síndrome de Asherman?

O sinal mais sugestivo é a redução importante ou o desaparecimento da menstruação após um procedimento uterino. A confirmação é feita por histeroscopia, que visualiza as aderências diretamente e permite classificá-las.

As aderências voltam depois da cirurgia?

Podem voltar, e é por isso que o cuidado pós-operatório é parte essencial do tratamento. Medidas de barreira, estímulo à regeneração endometrial e histeroscopia de revisão reduzem a recidiva e confirmam o resultado antes de liberar a tentativa de gravidez.

Fontes e referências

Conteúdo educativo, baseado em diretrizes de sociedades médicas. Não substitui consulta médica: a avaliação de cada caso é individual e acontece em consulta.

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