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Fatores masculinos da infertilidade: o que investigar

Metade da investigação do casal é dele. O que o espermograma mostra, o que ele não mostra, o que é tratável e quando aprofundar a avaliação.

homem de camisa de linho, de perfil junto a uma janela ampla, olhando para fora
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Metade da investigação do casal é dele. O fator masculino está presente, sozinho ou associado, em cerca de metade dos casos de infertilidade — e ainda assim é comum a investigação começar e avançar meses só pelo lado feminino. Um espermograma custa pouco, demora dias e muda o rumo do planejamento.

Por onde a investigação masculina começa

O primeiro exame é o espermograma, feito segundo os parâmetros de referência da Organização Mundial da Saúde. Ele avalia volume, concentração de espermatozoides, motilidade — quantos se movem e como — e morfologia, além de características como viscosidade, pH e presença de leucócitos.

Duas coisas sobre o espermograma que quase nunca são ditas na hora da coleta. A primeira: um exame alterado não fecha diagnóstico. A produção de espermatozoides leva cerca de setenta e poucos dias, e o resultado sofre influência de febre recente, infecção, estresse, uso de medicamentos e tempo de abstinência. Alteração isolada pede repetição depois de algumas semanas. A segunda: um espermograma normal não exclui fator masculino — ele avalia quantidade e movimento, não a integridade do material genético.

O que o espermograma não mostra

Quando o quadro não fecha — espermograma normal com infertilidade persistente, abortos de repetição, falhas de fertilização ou embriões de má qualidade —, outros exames entram:

  • fragmentação do DNA espermático, que avalia a integridade do material genético e se associa a falha de implantação e perda gestacional;
  • avaliação hormonal (FSH, LH, testosterona, prolactina), quando há alteração importante da concentração;
  • ultrassonografia de bolsa escrotal com Doppler, que identifica varicocele e alterações estruturais;
  • cariótipo e pesquisa de microdeleções do cromossomo Y, indicados em alterações graves da contagem;
  • pesquisa de obstrução e avaliação urológica especializada em casos de azoospermia.

O que se pode tratar

Parte do fator masculino é corrigível. Varicocele com indicação pode ser tratada cirurgicamente com melhora dos parâmetros em uma parcela dos casos. Infecções são tratadas. Alterações hormonais são corrigidas. E hábitos têm peso real e mensurável:

  • tabagismo e uso de álcool em quantidade relevante pioram concentração, motilidade e integridade do DNA;
  • calor local sustentado — banhos muito quentes, sauna, notebook sobre as pernas — reduz a produção;
  • anabolizantes e reposição de testosterona sem indicação suprimem a produção de espermatozoides, às vezes de forma prolongada;
  • obesidade e sedentarismo alteram o perfil hormonal e a qualidade seminal;
  • sono insuficiente e estresse crônico têm efeito consistente, ainda que menor.

Um ponto que merece ser dito com todas as letras: reposição de testosterona não trata infertilidade masculina — ela a piora. A testosterona externa desliga o estímulo que o testículo recebe para produzir espermatozoides. Homens em uso e com desejo de ter filhos precisam de avaliação específica antes de qualquer coisa.

Quando o caminho é a reprodução assistida

Alterações leves a moderadas podem permitir inseminação intrauterina, desde que haja concentração e motilidade suficientes após o preparo seminal e que as tubas estejam pérvias. Alterações importantes levam à fertilização in vitro com ICSI, em que um único espermatozoide é injetado dentro de cada óvulo — técnica que contornou boa parte das limitações que antes inviabilizavam a gravidez biológica.

Na azoospermia, quando não há espermatozoides no ejaculado, ainda existem caminhos: a recuperação cirúrgica de espermatozoides diretamente do testículo ou do epidídimo permite FIV com material próprio em muitos casos. Quando não há recuperação possível, a doação de sêmen é uma alternativa prevista e regulamentada.

A investigação do casal em Brasília

No consultório em Brasília, a investigação é conduzida como investigação do casal desde a primeira consulta — o espermograma é solicitado junto com os exames femininos iniciais, não depois deles. Isso encurta o tempo até o diagnóstico e evita meses de exames de um lado só.

Quando há alteração que exige avaliação urológica especializada, o encaminhamento acontece em paralelo ao restante da investigação, para que os dois caminhos avancem ao mesmo tempo.

Perguntas frequentes

Fator masculino: o que mais perguntam

O espermograma normal descarta o fator masculino?

Não. O espermograma avalia quantidade, movimento e forma, mas não avalia a integridade do DNA dos espermatozoides. Em infertilidade sem causa aparente, abortos de repetição ou falhas de fertilização, exames complementares como a fragmentação do DNA podem revelar o que o espermograma não mostra.

Um espermograma alterado significa que não vou ter filhos?

Não. Muitas alterações são transitórias e pedem apenas repetição do exame. Outras são tratáveis, e mesmo alterações importantes costumam ser contornáveis com FIV e ICSI, em que um único espermatozoide é injetado no óvulo.

Quantos dias de abstinência antes do espermograma?

O intervalo habitualmente orientado é de dois a cinco dias. Períodos muito curtos reduzem o volume e a concentração; períodos muito longos aumentam a proporção de espermatozoides com motilidade e integridade menores. Seguir a orientação do laboratório evita repetir o exame.

Varicocele sempre precisa operar?

Não. A indicação cirúrgica depende do grau da varicocele, da presença de alteração no espermograma e do contexto do casal — incluindo idade da parceira e tempo disponível. Em muitos casos, seguir direto para reprodução assistida é a escolha mais eficiente.

Fontes e referências

Conteúdo educativo, baseado em diretrizes de sociedades médicas. Não substitui consulta médica: a avaliação de cada caso é individual e acontece em consulta.

O fator masculino responde por cerca de 40 a 50% dos diagnósticos em casais com dificuldade para engravidar.

  • Espermograma completo avalia concentração, motilidade e morfologia estrita
  • Teste de fragmentação do DNA espermático sob indicação clínica específica
  • Identificada a causa, existe conduta dirigida — clínica, cirúrgica ou de reprodução assistida
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