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Malformações uterinas: fertilidade e tratamento

Qual malformação tem correção indicada, como é a septoplastia histeroscópica e o que muda no acompanhamento das formas que não se operam.

Ilustração com quatro silhuetas de útero lado a lado
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Este texto trata do que se faz depois do diagnóstico de uma malformação uterina: qual delas tem correção com benefício comprovado, como é a cirurgia quando ela está indicada e o que muda no acompanhamento da gestação nas formas que não se operam. Para entender os tipos e como cada um é identificado, a página sobre malformações uterinas e fertilidade vem antes desta.

A regra geral: poucas se operam

Entre todas as malformações uterinas, apenas uma tem indicação cirúrgica bem estabelecida em quem deseja engravidar: o septo uterino. As demais — bicorno, didelfo, unicorno — são, na maioria dos casos, acompanhadas, com atenção obstétrica específica em vez de correção cirúrgica.

Por isso a etapa mais decisiva do tratamento acontece antes dele: classificar corretamente. Útero septado e útero bicorno podem parecer iguais na histerossalpingografia, e só a avaliação do contorno externo — por ultrassonografia tridimensional ou ressonância — distingue os dois. Operar um bicorno como se fosse septo é um erro de consequências sérias.

Septoplastia histeroscópica

A correção do septo é feita por histeroscopia: o septo é seccionado sob visão direta, por via vaginal, sem corte abdominal. O procedimento é rápido, realizado em centro cirúrgico com anestesia, e a alta costuma ocorrer no mesmo dia.

O pós-operatório inclui orientação para regeneração endometrial e, com frequência, uma histeroscopia de revisão antes de liberar a tentativa de gravidez — tanto para confirmar o resultado quanto para afastar a formação de aderências. O intervalo até tentar engravidar costuma ser de um a dois ciclos após a confirmação.

A indicação é mais clara diante de histórico de perdas gestacionais, infertilidade ou parto prematuro. Em mulheres sem histórico reprodutivo, a decisão é individualizada e leva em conta a extensão do septo e o projeto de gravidez.

O que se faz nas formas não corrigíveis

Útero bicorno, didelfo e unicorno são compatíveis com gestação, e o cuidado se desloca da cirurgia para o acompanhamento obstétrico. Os pontos de atenção conhecidos são:

  • maior chance de apresentação anômala do feto, com impacto na via de parto;
  • risco aumentado de parto prematuro, que justifica vigilância do colo uterino durante a gestação;
  • risco aumentado de restrição de crescimento fetal, monitorado por ultrassonografias seriadas;
  • no útero unicorno com corno rudimentar, atenção específica à possibilidade de implantação nesse corno, situação que exige conduta própria;
  • avaliação do trato urinário, pela associação frequente com malformações renais.

A cirurgia de unificação em úteros bicorno existe, mas é reservada a casos excepcionais, com histórico reprodutivo desfavorável importante e depois de excluídas outras causas — é uma cirurgia de maior porte, que abre a parede uterina.

Malformação uterina e reprodução assistida

Quando há indicação de tratamento de reprodução assistida em paciente com malformação uterina, a correção do septo, quando indicada, é feita antes da transferência embrionária. Nas demais formas, o tratamento segue normalmente, com atenção ao preparo endometrial e à escolha do lado de transferência em casos de cavidade dividida.

No consultório em Brasília, a condução desses casos começa sempre pela confirmação do diagnóstico com o exame certo — e essa etapa, sozinha, muda a conduta em uma parcela significativa das pacientes que chegam com um diagnóstico prévio baseado apenas em histerossalpingografia.

Perguntas frequentes

Malformações uterinas: o que mais perguntam

A cirurgia de septo uterino é grande?

Não. A septoplastia é feita por histeroscopia, por via vaginal, sem corte abdominal, com alta em geral no mesmo dia. O cuidado maior está no pós-operatório, que visa a regeneração do endométrio e a prevenção de aderências.

Útero bicorno precisa de cirurgia?

Na grande maioria dos casos, não. A conduta é acompanhamento com atenção obstétrica específica. A cirurgia de unificação é reservada a situações excepcionais, com histórico reprodutivo desfavorável importante.

Depois da septoplastia, quando posso tentar engravidar?

Em geral após um a dois ciclos e depois da confirmação do resultado, que costuma ser feita por histeroscopia de revisão. O intervalo exato depende da extensão do septo tratado.

Malformação uterina exige cesárea?

Não obrigatoriamente. A via de parto depende da malformação, da apresentação fetal e da evolução da gestação. Formas com cavidade dividida aumentam a chance de apresentação anômala, o que pesa nessa decisão.

Fontes e referências

Conteúdo educativo, baseado em diretrizes de sociedades médicas. Não substitui consulta médica: a avaliação de cada caso é individual e acontece em consulta.

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