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Quais exames investigam a infertilidade do casal

O roteiro completo em quatro blocos, a fase do ciclo de cada exame e o que não precisa entrar. A investigação cabe em poucas semanas.

Duas mulheres à mesa, com cadernos de anotações abertos
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A investigação de infertilidade tem um roteiro bem definido, e ele cabe em poucas semanas quando é feito na ordem certa. São quatro perguntas objetivas: há ovulação? como está a reserva ovariana? as tubas estão pérvias e a cavidade uterina é adequada? como está o espermograma? Tudo o mais é complemento dirigido pelo que essas respostas mostrarem.

A investigação básica, em quatro blocos

Os exames abaixo compõem a investigação inicial do casal e costumam ser solicitados juntos, na primeira consulta, para que os resultados cheguem no mesmo retorno:

  • Ovulação — padrão dos ciclos e dosagem de progesterona na fase lútea, cerca de sete dias antes da menstruação esperada. Em ciclos irregulares, a avaliação hormonal é ampliada.
  • Reserva ovariana — hormônio antimülleriano (AMH) e contagem de folículos antrais por ultrassonografia transvaginal no início do ciclo.
  • Fator tubário e uterino — histerossalpingografia ou histerossonossalpingografia, que avaliam permeabilidade das tubas e contorno da cavidade; ultrassonografia transvaginal para útero e ovários.
  • Fator masculino — espermograma segundo os parâmetros de referência atuais, repetido após algumas semanas se houver alteração.

A esse conjunto se somam exames gerais que influenciam diretamente a fertilidade e a segurança de uma gestação: função tireoidiana (TSH e T4 livre), prolactina, glicemia, sorologias infecciosas do casal, tipagem sanguínea e avaliação de imunidade à rubéola.

A ordem importa — e o momento do ciclo também

Boa parte dos exames de fertilidade tem dia certo no ciclo. A contagem de folículos antrais e o FSH basal são do início do ciclo; a progesterona é da fase lútea; a histerossalpingografia é feita após o fim da menstruação e antes da ovulação. Exame colhido fora da janela precisa ser repetido — e repetir custa um ciclo inteiro.

Organizar a coleta por ciclo é o que faz a investigação caber em quatro a seis semanas em vez de se arrastar por meses. Esse planejamento é parte do que sai definido na primeira consulta.

Histerossonossalpingografia: o exame de trompas sem radiação

Entre os exames que avaliam a permeabilidade das trompas, a histerossonossalpingografia é a alternativa mais recente à histerossalpingografia clássica — e a diferença entre as duas importa para quem vai fazer. Em vez de raio-X com contraste iodado, ela usa ultrassonografia transvaginal com infusão de uma solução de contraste pelo colo do útero, o que permite acompanhar em tempo real a distensão da cavidade e a passagem do líquido pelas tubas.

As vantagens práticas são três. Não há radiação ionizante. A tolerância costuma ser melhor, com menos cólica relatada do que na histerossalpingografia. E, principalmente, o exame é dois em um: no mesmo ato avalia a permeabilidade tubária e examina útero e ovários — contorno da cavidade, pólipos, miomas submucosos, contagem de folículos antrais e aspecto dos ovários. Isso responde, em uma sessão, perguntas que de outra forma exigiriam dois exames em dias diferentes do ciclo.

Como qualquer exame de permeabilidade tubária, ele é realizado na primeira fase do ciclo, depois do fim da menstruação e antes da ovulação, com orientação de analgesia prévia. E, como a histerossalpingografia, tem um pequeno efeito terapêutico conhecido: a passagem do contraste desobstrui aderências muito finas, com discreto aumento da taxa de gravidez espontânea nos meses seguintes.

A escolha entre os dois exames não é automática. Ela considera o histórico, o que mais precisa ser avaliado no mesmo momento, a tolerância da paciente e a necessidade de evitar radiação — e é uma das definições que saem da primeira consulta.

Os exames complementares, e quando entram

Não são de rotina: cada um responde a um achado específico da investigação básica.

  • Histeroscopia diagnóstica — quando há suspeita de pólipo, sinequia, septo ou mioma submucoso, ou diante de falha de implantação.
  • Ultrassonografia tridimensional ou ressonância de pelve — para classificar malformação uterina ou mapear endometriose profunda e adenomiose.
  • Fragmentação do DNA espermático — em infertilidade sem causa aparente, abortos de repetição ou falha de fertilização.
  • Cariótipo do casal — em abortos de repetição, alterações graves do espermograma ou falência ovariana precoce.
  • Investigação de trombofilias e de síndrome antifosfolípide — de forma seletiva, diante de perdas gestacionais.
  • Painel de compatibilidade genética — quando há histórico familiar relevante ou por decisão do casal no planejamento.

O que não precisa entrar

Existe uma lista de exames frequentemente solicitados e sem benefício comprovado na investigação inicial: painéis amplos de trombofilia sem histórico, testes imunológicos sem indicação, dosagens hormonais repetidas fora de contexto e exames de receptividade endometrial aplicados indiscriminadamente. Eles aumentam custo, tempo e ansiedade sem mudar conduta.

Investigação boa é a que responde perguntas que mudam decisão. No consultório em Brasília, a primeira consulta define exatamente esse conjunto — o que pedir, em que fase do ciclo, e qual é a data de retorno para ler tudo junto e fechar o plano.

Perguntas frequentes

Exames de investigação: o que mais perguntam

Quanto tempo leva a investigação completa de infertilidade?

Quando os exames são organizados por fase do ciclo, a investigação básica do casal costuma se concluir em um a dois ciclos menstruais — em geral de quatro a seis semanas até o retorno com todos os resultados.

Meu marido precisa fazer exame desde o começo?

Sim. O espermograma faz parte da investigação inicial e deve ser solicitado junto com os exames femininos. O fator masculino está presente em cerca de metade dos casos, e investigar um lado de cada vez apenas dobra o tempo até o diagnóstico.

Qual exame avalia as trompas?

A histerossalpingografia, com contraste e raio-X, e a histerossonossalpingografia, com ultrassonografia e infusão de contraste, sem radiação. Ambas avaliam a permeabilidade das tubas e o contorno da cavidade uterina.

Qual a diferença entre histerossalpingografia e histerossonossalpingografia?

A histerossalpingografia usa raio-X e contraste iodado. A histerossonossalpingografia usa ultrassonografia com infusão de solução de contraste: não tem radiação, costuma ser mais bem tolerada e avalia, no mesmo exame, útero, ovários e permeabilidade das tubas.

Preciso interromper o anticoncepcional antes dos exames?

Para a avaliação da reserva ovariana e para os exames que dependem da fase do ciclo, sim — o uso de hormônio altera os resultados. A orientação sobre quando e como suspender faz parte da consulta.

Fontes e referências

Conteúdo educativo, baseado em diretrizes de sociedades médicas. Não substitui consulta médica: a avaliação de cada caso é individual e acontece em consulta.

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