Condições

Malformações uterinas e fertilidade

Útero septado, bicorno, didelfo e unicorno: como se classificam, qual delas tem correção indicada e o que muda no acompanhamento da gestação.

Mulher sentada à mesa, com o queixo apoiado na mão e uma caneca à frente
Condições

Malformações uterinas são alterações na formação do útero durante o desenvolvimento embrionário. A maioria é compatível com gestação, e muitas mulheres só descobrem a própria na investigação de infertilidade ou de perdas gestacionais. Entre todas, uma se destaca por ter impacto claro e correção eficaz: o septo uterino.

Como o útero se forma — e onde a formação pode desviar

O útero se forma a partir da fusão de duas estruturas embrionárias, os ductos de Müller, seguida da reabsorção da parede que resta entre elas. Falhas em qualquer uma dessas etapas produzem as diferentes malformações: falha de fusão gera úteros bicorno, didelfo ou unicorno; falha de reabsorção gera o septo uterino.

Como o desenvolvimento dos rins acontece em paralelo ao do trato genital, malformações uterinas se associam a alterações renais com frequência — o que torna a avaliação do trato urinário parte da investigação quando uma malformação é identificada.

Os tipos e o que cada um significa

  • Útero septado — a cavidade é dividida por um septo fibroso, parcial ou completo. É o tipo mais comum e o de maior impacto sobre aborto e parto prematuro, porque o septo é pouco vascularizado e oferece ao embrião um lugar ruim para implantar. É também o mais corrigível.
  • Útero bicorno — a fusão foi incompleta e existem duas cavidades com contorno externo dividido. O impacto é menor que o do septo e o tratamento cirúrgico é reservado a casos selecionados.
  • Útero didelfo — duplicação completa, com dois úteros e frequentemente dois colos. Gestações são possíveis, com vigilância obstétrica adicional.
  • Útero unicorno — apenas metade se desenvolveu, às vezes com um corno rudimentar. A atenção principal é o risco de implantação no corno rudimentar, situação que exige conduta específica.
  • Útero arqueado — variação leve do contorno do fundo uterino, hoje considerada variante da normalidade sem impacto reprodutivo estabelecido. Não exige tratamento.

A distinção entre útero septado e útero bicorno é decisiva e não pode ser feita por histerossalpingografia sozinha: as duas podem aparecer como cavidade dividida no exame. É preciso ver o contorno EXTERNO do útero — com ultrassonografia tridimensional ou ressonância magnética. Confundir os dois leva a indicar a cirurgia errada.

Como se diagnostica

A ultrassonografia transvaginal tridimensional é hoje o exame de escolha: ela reconstrói o útero em plano coronal e mostra ao mesmo tempo a cavidade e o contorno externo, que é o que classifica a malformação. A ressonância magnética é a alternativa quando a ultrassonografia tridimensional não está disponível ou quando a anatomia é complexa.

A histeroscopia enxerga a cavidade por dentro e é ao mesmo tempo o instrumento do tratamento do septo, mas não informa o contorno externo — por isso ela não substitui a imagem na etapa de classificação.

O que se corrige, e o que se acompanha

O septo uterino tem correção bem estabelecida: a septoplastia histeroscópica, um procedimento por via vaginal, sem corte abdominal, em que o septo é seccionado sob visão direta. A recuperação é rápida e há intervalo definido antes de tentar engravidar, para permitir a reepitelização da cavidade.

As demais malformações raramente têm indicação cirúrgica. Na maior parte dos casos a conduta é acompanhamento, com atenção obstétrica específica: risco aumentado de apresentação anômala, de parto prematuro e de restrição de crescimento, todos manejáveis com pré-natal adequado.

A avaliação dessas alterações em quem deseja engravidar, no consultório em Brasília, tem sempre dois passos: classificar corretamente com o exame certo e, só então, decidir se há algo a corrigir. Malformação identificada não é sinônimo de cirurgia indicada.

Perguntas frequentes

Malformações uterinas: o que mais perguntam

Malformação uterina impede a gravidez?

Na maioria dos casos, não. Muitas mulheres com malformação uterina engravidam e levam a gestação a termo. O que muda é o risco de aborto e de complicações obstétricas, maior no útero septado e menor nas demais formas.

Útero septado precisa de cirurgia?

Quando há histórico de perdas gestacionais, infertilidade ou parto prematuro, a septoplastia histeroscópica está indicada e tem bons resultados. Em mulheres sem histórico reprodutivo, a decisão é individualizada.

Qual a diferença entre útero septado e útero bicorno?

No útero septado o contorno externo é normal e existe apenas um septo interno dividindo a cavidade. No bicorno, o próprio contorno externo é dividido. A distinção exige ultrassonografia tridimensional ou ressonância, e define condutas diferentes.

Útero arqueado é problema?

Não. O útero arqueado é considerado uma variante da normalidade, sem impacto reprodutivo demonstrado, e não tem indicação de tratamento.

Fontes e referências

Conteúdo educativo, baseado em diretrizes de sociedades médicas. Não substitui consulta médica: a avaliação de cada caso é individual e acontece em consulta.

Continue por aqui

Assuntos relacionados

Abra um quadro para ler o resumo e seguir para o assunto completo.

Ficou com dúvida sobre o seu caso?

A avaliação é individual e acontece em consulta. Fale com a equipe para entender o atendimento particular, o apoio com o reembolso do convênio e a teleconsulta.

Falar com a equipe